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Savannah Filipa

Savannah Filipa

Bombeira

Quando eu crescer quero ser… parte 3

29.01.21, Savannah F.

Quando eu crescer quero ser bombeira, porque sinto-me atraída por tudo o que eu sei sobre bombeiros.  Não sei quando comecei a pensar sobre isto, mas a medida que o tempo passa esta vontade não vai embora.

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Os pais de algumas colegas minhas são bombeiros, e fascinava-me ouvir as suas histórias, da coragem que demonstram, da garra e da perseverança.

Se não me engano há todos os anos um dia para a população ir a Base Aérea nº5 de Monte Real, onde podemos ver, e ter experiências que apenas estão disponíveis para os militares, ou outros profissionais de áreas especificas. Fui apenas uma vez, com uma colega e o seu pai, ele era bombeiro também. Havia simulação de fogo, onde nós podíamos apaga-lo, vestidas a rigor com o equipamento de proteção, e a supervisão de um bombeiro, pude apagar o fogo, foi incrível e marcante.

Não sei se um dia vestirei uma farda de bombeira, mas sei que irei ajudar quem precisa, porque isso me faz sentir bem. Por exemplo, o meu pai do coração não é bombeiro, mas ajudou a pouco tempo alguém que precisava, uma das nossas vizinhas é uma doce velhinha (gosto muito dela), vive sozinha e os filhos estão longe, com as chuvas fortes dos últimos tempos as calhas ficaram entupidas, e a água começou a passar as paredes para dentro de casa. O meu “pai bombeiro” foi em socorro e limpou as calhas, e a inundação que já estava dentro da casa.

Eu um dia quero ser bombeira como o meu pai, ou uma bombeira com uma farda a sério.

 

 

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Como é possível alguém conseguir viver assim tanto tempo

Todos temos uma história: Parte 3

27.01.21, Savannah F.

Depois da morte do meu pai a minha cabeça parecia um novelo, e não consigo lembrar de muito. O que me lembro são só fragmentos, na sua maioria dignos de um filme de terror. Houve situações por que passei que por enquanto não posso partilhar, um dia quem sabe, farei um filme de suspense e terror .novelo.jpeg

Passava muito tempo sozinha no quarto a chorar a morte do meu pai, não me lembro realmente de ter tido o apoio de alguém, até posso ter tido, mas “infelizmente” fui dotada com uma capacidade enorme em associar as palavras que dizem ao que realmente sentem. Por vezes queriam ensinar-me amor com odio no olhar, e isso impedia-me de aprender. Agora sei que só se pode dar aquilo que se tem, e os responsáveis por mim na época também não tinham mais para me dar, porque o que receberam ao longo da sua vida tinha sido muito pouco, e mau.

O que me recordo de bom são, das brincadeiras com os meus irmãos e vizinhos, na oliveira do parque, de brincar na praia, no mar, aventurava-me sempre, nunca me impediam, sentia-me livre, fazia amigos que realmente queriam brincar comigo, e só precisava de voltar para os meus familiares na hora das refeições. Uma outra coisa que eu amava era dançar, mas não me deixavam, porque atrapalhava, porque fazia barulho, segundo “eles”, eu não prestava para dançar, nem cantar. Quando queria dançar, cantar, ou fazer algo que pudesse provocar barulho ou movimentos era censurada, e então ia para o bosque para poder libertar-me um pouco, sempre sozinha.

A minha mãe não admitia que eu fizesse algo que perturbasse o “génio”, o meu irmão mais velho, porque ele, ele sim iria ter um futuro brilhante, pois era responsável, inteligente, etc., etc., etc., não tenho raiva dele, tenho pena deles, porque não tiveram alguém que os salvou ainda.

 

Se eu um dia os irei ajudar?

 

Não sei, hoje estou a aprender a ser forte, ainda não estou preparada para essa batalha.

 

Tive que pensar e agir, de acordo com o que os outros achavam ser o correto aos olhos da sociedade, não interessavam os meus desejos, gostos, interesses, só o dos outros. Depois do meu pai morrer tudo mudou, e percebi que ele era a pessoa que me educava, amava, e ensinava a ser eu mesma, respeitando os outros ao mesmo tempo. Depois da morte descobri uma mãe diferente, passou de alguém calado e reservado, para alguém muito feroz, não sei qual o seu interesse, talvez económico, porque o meu pai lhe proporcionava uma vida muito estável economicamente, então fingia constantemente ser o que não era. Como é possível alguém conseguir viver assim tanto tempo?

 

Gostava que percebessem que viver de aparências é doentio, e quase me matou.

 

O meu pai ensinou-me que somos todos iguais, o empregado da limpeza, a senhora da portaria, o gerente de contas do banco, o polícia, o bombeiro, o medico, a enfermeira, o presidente, ensinou-me que todos somos só uma peça de um grande puzzle, e que as peças de um puzzle são na maior parte das vezes todas planas, a não ser que seja um puzzle 3D, mas isso é outra história. Ele ensinou-me que todas as peças têm o mesmo valor, mas umas tem mais responsabilidades em segurar outras peças para que se mantenham unidas, são os professores, ensinando os seus alunos, são os médicos quando ajudam a manter a saúde dos seus utentes, é o presidente, dando a cara pelo país, são os pais quando educam e ajudam os seus filhos. ele também me ensinou que não devo admirar mais o medico do que o presidente, nem devo admirar mais o presidente do que o empregado de limpeza. Devo respeitar todos de forma igual. Assim que o meu pai morreu comecei a sofrer uma lavagem cerebral no sentido oposto a tudo aquilo que falei, e era obrigada constantemente a manter uma aparência de fachada, e de veneração aos que eram mais “poderosos”. Hoje percebo que a minha mãe estava a procura do seu próximo marido, mas mesmo que eu soubesse disso, na altura não me iria ajudar.

 

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Psicóloga

Quando eu crescer quero ser… parte 2

23.01.21, Savannah F.

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Quando eu crescer quero ser psicóloga, e poder ajudar outras crianças. A ver a vida de forma mais leve, ajuda-los a entenderem que as dores por que passamos, servem para nos proteger, para nos tornar mais fortes.

 

Quero que outras crianças entendam que irão haver sempre problemas, irão surgir sempre dificuldades, que vamos ainda conhecer muitas pessoas que nos vão dececionar, mas que vai ficar tudo bem, e é só uma fase.

 

Eu não quero dar um comprimido magico, quero ensinar que não vamos conseguir fazer tudo bem a primeira, estamos a aprender, quero que as crianças entendam que até os adultos estão a aprender, e inclusive eles também se enganam, infelizmente a maior parte deles não admite as suas fragilidades, e por vezes isso provoca-nos um sentimento de fraqueza, e desvalorização, pensamos que não somos bons o suficiente, porque erramos.  Muito dos adultos a nossa volta não mostra quando erra, e crescemos, portanto, a pensar que o erro é algo terrível, em vez de aceitarmos como parte da aprendizagem. 

 

Talvez tenha que ensinar aos adultos que errar é normal, desde que, não tornem o erro um hábito. Eu aprendi, e continuo a aprender que errar é humano, mas nem sempre pensei assim. A uns anos atrás, já depois da morte do meu pai eu tive umas notas mais baixas, mas tentava mesmo assim andar animada, e aproveitar o tempo livre com as colegas no recreio, tentava sorrir. Não estava a conseguir lidar muito bem com a falta do meu pai, e todos os dias uma colega me dizia:

 

não podes rir,

 

não podes ser feliz,

 

não podes estar feliz,

 

quando tens notas tão baixas,

 

eu não quis dar muita importância ao que ela dizia, mas ela dizia-me aquilo todos os dias, além disso ela era uma "ótima" aluna, e eu já a conhecia desde que eramos bebes, então comecei a acreditar, e a ouvir o que ela dizia. como não existiam adultos interessados no meu bem-estar psicológico, ninguém reparou nisso, e até a dois anos atrás eu julgava-me uma derrotada, uma fracassada, felizmente encontrei pessoas fantásticas, e desde então, e como vou falar nos próximos posts da série "Quando eu crescer quero ser...", tenho conseguido mudar algumas coisas na minha forma de pensar, e as minhas notas, e a minha autoconfiança melhoraram. Obrigada as psicólogas que me têm ajudado, umas com diploma, e outras apenas com o certificado de psicólogas do coração. Porque existem pessoas magicas que sem diploma conseguem mudar vidas.

 

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Quando eu crescer quero ser Feliz

Quando eu crescer quero ser… parte 1

22.01.21, Savannah F.

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Para começar quero ser feliz, poder ter a capacidade de apreciar as coisas mais simples. A minha mãe ensinou-me que isso se aprende, e que se todos os dias eu procurar algo belo, vou encontrar, e vou ser feliz. Estar feliz sempre é muito difícil, também precisamos de passar por caminhos difíceis, para depois saber apreciar o belo. Mas se estivermos disponíveis para ser feliz, seremos. Temos que ser mais tolerantes, mais compreensivos.

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O dia em que descobri a solidão

Todos temos uma história: Parte 2

20.01.21, Savannah F.

Não tenho muitas recordações antes de acontecer aquilo a que eu chamo:

“O dia em que descobri a solidão”

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Fiquem tranquilos, hoje estou melhor, mas o percurso foi muito difícil, e ainda tenho muitas marcas. Perdi parte das memórias que tinha, por querer apagar o sofrimento que sentia, como se fosse possível. Hoje sei que não é, e que aceitar como parte do percurso, é mais fácil do que tentar apagar.

Vocês devem-se estar a perguntar, onde estava a minha mãe, ela estava lá, esteve sempre lá, pelo menos o corpo estava, mas não para me dar colo, talvez nem tivesse reparado no meu sofrimento. Ainda hoje não entendo, mas aceito.

Não sei como foi receber a notícia da morte, não ficou gravado na memória, o que me lembro é de ir velar o corpo no dia anterior ao funeral, e foi aí que me despedi do meu pai, foi nesse dia que descobri a solidão e o desamparo.

Disseram-me que podia beijar o meu pai, lembro-me que a minha mãe estava perto, provavelmente ela também sofreu muito com a perda.

“Quando beijei o meu pai percebi que tudo ia mudar”

Fiquei triste, e ninguém me acarinhou, ou deu a mão, lembro-me de estar sentada num banco, via pessoas a passar, a despedir-se do meu pai, a dar os pêsames a minha mãe, mas ninguém vinha ter comigo, hoje entendo que algumas pessoas não sabem ser sinceras com os outros, talvez porque não o sejam consigo mesmas, então vivem de aparências.

Como me sentia num buraco sem fim, saí da sala, fui para a rua, e novamente, as pessoas que se amontoavam lá também não me viam, parecia invisível.

Como é que estas pessoas conseguem confortar por vezes quem não conhecem, e não confortam aqueles que estão perto. Dão valor a ídolos, quando deveriam fazê-lo com aqueles que “dizem amar”.

Aprendi que devo valorizar quem está perto de mim, não esperar pelo amanhã, não deixar nada por dizer, ou fazer. E que não é quem morre que precisa de conforto, mas sim aqueles que ficam cá, e que perderam um amigo, um pai, um irmão, alguém importante para si.

Não me deixaram ir ao funeral dele, e isso foi muito duro…

 

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Há muito, muito tempo…

Todos temos uma história: Parte 1

13.01.21, Savannah F.

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Nasci numa grande família, e tudo parecia belo. Até que, o meu pai faleceu. A partir desse momento descobri o que era a solidão, e durante muito tempo não consegui ser feliz, ser uma criança normal. 

 

Comecei a sentir tudo de forma muito negativa, senti o preconceito e a descriminação, como que algo que nos espreme a alma, que nos suga a felicidade.

 

Percebi que a família grande que eu conhecia, afinal era apenas um grupo de pessoas que se juntava ocasionalmente para satisfazer as suas necessidades pessoais, e não as necessidades de todos como um só. 

Foi um duro choque, mas talvez as minhas dificuldades estivessem apenas a começar......

 

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